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7.1.11

Religiões: um mal necessário?

Eu, que tenho me posicionado como um ateu há alguns anos, gosto de conversar sobre religião, ainda que para muitas pessoas com quem converso, isto seja algo infrutífero. Ainda assim, acho que podemos ouvir as opiniões e pensar sobre elas posteriormente.

E dentro deste tema, fui presenteado, há algum tempo, por minha namorada [valeu, minha gata :*] com duas obras, cujas leituras estão entre os meus objetivos para o ano de 2011: "Deus, Um Delírio", de Richard Dawkins, que conclama a uma reação contra a crescente onda de imposição religiosa que assola os tempos atuais, e seu contraponto "O Delírio de Dawkins", de Alister McGrath, em que o autor busca combater os argumentos de Dawkins, onde tenta desqualificar os argumentos utilizados por aquele.

Assim que lê-los tentarei colocar aqui as minhas impressões sobre os mesmos. Por ora, manifestarei apenas o meu desapreço cada vez maior por esta obrigatoriedade de se vincular a uma religião para ser benquisto socialmente como alguém respeitável e com bons valores morais verdadeiramente edificados.

É como se só conseguisse entender, respeitar e se vincular moralmente aos valores basilares de uma sociedade os que professem alguma religião.

Entendo que o temor a qualquer deus não seja obrigatório para entender quais são os valores que norteiam uma sociedade. Penso que uma educação que seja baseada em virtudes, possa ser capaz de moldar o comportamento de qualquer pessoa. O grande entrave, no entanto, é o fato de já vivermos numa sociedade, que mesmo pregando a sua fé na existência de um deus [e no caso específico da sociedade brasileira, no deus judaico-cristão], é extremamente corrupta.

A verdade é que eu que já não acredito em nenhuma força extraterrena [exceto as físicas] também já estou cansado desta hipócrita sociedade "espiritualizada". Até acho que numa sociedade cada vez mais decandente, em termos de valores, como a nossa, os entraves que as pessoas possam encontrar para refrear seus ímpetos de cobiça e egoísmo extremos são necessários. Entraves como as leis [e percebam que nosso país deve ser dos que mais produzem leis no mundo] e as religiões passam a ser aliados para tentar impregnar um pouco de temor nas pessoas, tentando fazer com que sejam um pouco mais comedidas nas suas ações.

O que importa, para mim, ao final disto tudo, é que as religiões só se mostram necessárias por conta das degradantes sociedades nas quais elas estão inseridas. E, paradoxalmente, quanto mais degradado e miserável um povo ou nação, provavelmente, mais religiões e seguidores "fieis" elas terão.

7.10.10

O peso da traição

Nada como bons papos ou pessoas que, com sua grande capacidade para nos proporcionar boas conversas, nos inspiram a escrever.

O que vou tratar aqui é um assunto que já foi tratado anteriormente, mas creio que sob outro enfoque: a traição.


É que estive discutindo sobre de quem seria a responsabilidade da traição, já que havia refletido sobre isto.

Entendo que quem trai, vai saber e ter os seus motivadores, o que não precisa ser, necessariamente, aceito pelo traído. O que quero dizer é que o traidor vai justificar, mas quem é traído não precisa aceitar tais justificativas.

Mas bem, o que me motiva agora é falar sobre a responsabilidade da traição. Muitas vezes aquele que recebeu o "chapéu de touro" é acusado de contribuir para que o evento ocorra. Existem casos e casos, como os dos que incentivam a ocorrência de uma relação do parceiro com outro. Mas convenhamos: neste caso não seria uma traição, já que houve o consentimento. O que trato aqui é da traição: uma relação com outra pessoa sem o conhecimento, consentimento do parceiro.

Nos casos em que ocorre a traição, penso que ela se trata de uma decisão pessoal e que se reforça dia a dia, quando se trata de algo contínuo. Claro que existem as traições fortuitas, fugazes, mas que também não deixam de ser baseada num momento de escolha do traidor. E não quero aliviar o peso da responsabilidade pela decisão do infiel, mas, sem dúvida, quando temos diariamente a possibilidade de fazer diferente, como atribuir qualquer responsabilidade a terceiros [no caso o parceiro]? A diferença entre uma traição fugaz e uma contínua é que nesta se tem tempo para ponderar sobre o que se está fazendo, enquanto naquela nem sempre se tem tempo para se ponderar de forma mais detida: a pessoa só resolve trair e pronto!

A questão é que quem está traindo muitas vezes busca subterfúgios, sinais, confirmações no comportamento do outro para justificar aquilo que, no seu íntimo, quer fazer.

Pode até parecer reducionismo, mas acho que dividir a responsabilidade da traição é querer diminuir o peso de um ato que considero exclusiva do agente traidor. Ainda que algo esteja faltando na relação, e se isto se torna um fardo, mais fácil seria o caminho do término [claro que esgotadas as conversas, as tentativas de fazer com que o outro perceba que não está mais sendo como outrora].

Eu bem sei, porém, que nem sempre isto é tão fácil de fazer. Abdicar de uma relação, dependendo do motivo, nem sempre é tão simples como alguns insistem em achar. E aí é que chego no ponto crucial desta postagem: a traição, por estar sentindo falta de algo no parceiro [que é a desculpa mais comum], é, além de uma "punhalada" nas costas do parceiro, um ato de extrema covardia da parte de quem trai. É com isso que o traidor tem que lidar: tomou a sua decisão por não ter coragem de agir de outro modo.

Sei que apesar desta postagem as traições sempre continuarão a existir. Não tenho, em verdade, a ideia de demover ninguém daquilo que entende como adequado para a sua vida. Só entendo, hoje, que quem trai tem que arcar com o peso de sua decisão e aceitar que isto se baseia numa decisão exclusivamente pessoal. E eu bem sei que isto vale para mim também [e o digo por empirismo].

4.10.10

A vida imita a arte [ou Das Ironias da Vida]

Quem me conhece sabe que um filme que acabe de forma surpreendente pode ganhar alguns pontos comigo. É óbvio que eu já me traí e algumas vezes senti certa frustração por não ver tudo acabar bem, como é a praxe nas películas, se bem que no momento não lembro de nenhum filme em que eu gostaria de trocar o final só por todos não terem ficado "felizes para sempre". 

Vou comentar agora sobre um filme que acabei de assistir: "Jogando Com Prazer", com Ashton Kutcher e Anne Heche, para, em seguida, falar das minhas impressões da vida.
Jogando com Prazer[3]

Confesso que inicialmente estava meio reticente quanto ao filme, mas como já há algum tempo a sétima arte ocupa o primeiro posto entre os meus hobbies, resolvi dar uma chance.

A história é meio clichê: trata-se do estilo de vida de um jovem bonito e sedutor [Kutcher], que vive em Los Angeles, e vai tentando se dar bem, conquistando mulheres, e usufruindo das boas coisas materiais que essas relações podem proporcionar. Logo de cara ele adentra uma mansão, onde está ocorrendo uma festa, e nela conhece uma garota [Heche], a quem tenta [e consegue] seduzir, terminando a noite na casa dela.

Daí ele permanece nos dias que se seguem na casa, buscando conquistar a confiança dela. Consegue o seu intento e começa a tirar proveito, como dar uma festa na casa [aproveitando uma viagem da anfitriã], passeando com o carro dela, etc.

Até que ela descobre que o seu príncipe encantado é, em verdade, um conquistador e que busca auferir vantagens não tão "nobres" da relação. Vale ressaltar que nesse ínterim ele conhece uma pessoa, numa lanchonete, por quem ele começa a se encantar. Pararei por aqui, para que isto não vire um spoiler, afinal não quero estragar a diversão de ninguém, caso queira[m] ver o filme.

O que importa é que nem tudo acaba de forma tão "perfeita" assim, como muitas vezes ocorre na vida. Por vezes somos obrigados a tomar decisões de acordo com o que privilegiamos [e são nos momentos em que somos obrigados a decidir é que talvez passemos a ter a noção do que cada opção significa de modo global dentro da nossa vida - como um todo, eu digo]. 

Interessante [ou seria irônico?] é que nem sempre isto significa escolher exatamente o que imaginamos nos fazer mais feliz. Mas hoje penso que talvez isto possa ser apenas a visão aparente e imediata da situação, já que a longo prazo possivelmente teremos ganhos com uma decisão que tomamos, ainda que num primeiro momento pareça ser o contrário, afinal ninguém vai decidir por algo que saiba ser o pior.

Fica a recomendação do filme, principalmente pelas decisões pessoais dos protagonistas. E, como falei no início, pelo fato de reproduzir que nem sempre é possível ser afortunado no amor, quando outras coisas precisam ser ponderadas. Vai o que é mais importante para cada um.

17.8.10

Os sentimentos numa relação

Ultimamente venho me questionando muito a respeito de comportamentos e sentimentos que envolvem duas pessoas [e por vezes três, quatro].

Obviamente não existem receitas prontas para que as coisas dêem certo entre as pessoas, dadas as peculiaridades de cada um. Acredito, porém, que certamente existem coisas que tendem a fazer com que as coisas andem num bom nível entre a quase totalidade dos casais.

Sempre que iniciamos uma relação, temos aquelas sensações gostosas que qualquer uma pessoa, minimamente interessante, pode fazer com que aconteça: saudade, ansiedade em ver, ouvir, falar ou qualquer outra coisa que permita um "contato" com o ser amado, a tortuosa espera pelo momento do reencontro, o pensar constante no outro e nas boas coisas feitas e ditas por ambos.

Mas o tempo passa e nos acostumamos a essas sensações. Não é que deixamos de gostar da pessoa, mas esses elementos tão gostosos diminuem, talvez pelo fato de vermos a pessoa com uma certa frequência ou pela própria natureza humana, capaz de se acomodar adaptar a situações [nesse caso penso que é uma adaptação que todos dispensariam de bom grado, optando por viver aquelas sensações sempre].

E penso que relações mais longas sofrem alguns desgastes pelas diferenças, pelo convívio [que nem sempre é fácil], pelas coisas pequenas que irritam um ou outro e que vão se acumulando com o correr do tempo.

É possível que em momentos de dificuldade, uma relação e os valores das pessoas envolvidas possam ser testados, principalmente quando surge alguém com a capacidade de provocar todas aquelas sensações que o nosso parceiro já não consegue mais fazer vir à tona.

Não é tão fácil determinar de antemão como vai ser o comportamento de cada um em situações assim, mas não duvido que muito do que acreditamos [dentro de uma relação] vai ter um peso considerável em momentos assim. Obviamente que ninguém [ou poucos] são, neste aspecto, infalíveis,.

Eu já aprendi que é importante deixar sempre o nosso parceiro seguro quanto à forma com que esperamos nos comportar em situações de risco, mas decerto que nós mesmos passaremos a nos conhecer melhor a partir de experiências, de vivências.

Pude comprovar, estando dos dois lados da situação, que garantias sem cuidados nem sempre trarão o resultado que é esperado pelo nosso parceiro. E constatei que tudo depende do que ambos construíram e acreditam, dentro da relação. Mas é possível "entender" que há momentos nos quais fraquejamos e fugimos da proposta inicial.

É, pode-se ver como as coisas nem sempre são simples quando há sentimentos envolvidos, até porque eles podem oscilar numa mesma relação. A questão é: se ele não é capaz de segurar a "onda", temos como confiar apenas nos valores do outro?

10.7.10

Tanto amor e....?? ["Da série: A vida como ela é!" ou ainda: "das ironias que não tem graça"]

Este relato da série é, devo advertir, bem intimista.

Trata da história de um casal que, apesar de todas as dificuldades encontradas desde o início, resolveram apostar em sua história, pois ele [a parte masculina do casal] acreditava naquilo que sentiu de logo, assim que conheceu a sua amada.

Tantas eram as afinidades, as virtudes da amada, a admiração pelo jeito, pela forma como se comportava, as coisas que dizia, que ele descobriu ali estar A MULHER DA SUA VIDA.

Foram grandes as ponderações no começo, por conta do temor que ela tinha em relação a sua família, mas bem sabemos como é quando amamos! Por mais que desconfiemos no dito de que o amor supera tudo, eis que ele nos dá uma força que muitas vezes não imaginamos ter.

Inicialmente a relação se desenvolveu sem o conhecimento da família. E por quase um ano o sentimento se consolidava, as experiências se sucediam e as expectativas de permaneceram SEMPRE juntos, ainda que não se casassem, eram muito fortes.

Após esse primeiro ano, eis que ela resolve compartilhar o que estava vivendo com a sua mãe. Bem, não era necessarimente compartilhar o que estava sentindo, mas comunicar o que estava acontecendo, visando com isso a necessária aprovação familiar.

Numa infeliz conversa, onde coisas que não deveriam ter sido ditas vieram à tona, é possível que o destino deles tenha sido selado: "não aceito essa relação", disse a matriarca, parecendo não ter como ser demovida de tal decisão, baseada exclusivamente numa moral que busca mais satisfações sociais do que o interesse pelo bem estar dos envolvidos.

Ainda que não aceitasse que o apaixonado homem pisasse os pés na sua casa, e que não o conhecesse pessoalmente, fazia a tal objeção baseada no fato de que havia uma diferença de idade de 16 anos, dele ter um filho e que estava acabando de definir a sua situação em relação a um casamento que foi desfeito quase um ano antes, concomitante ao período em que se conheceram.

Mas obviamente que tais coisas não poderiam aplacar tanto amor e ainda assim o casal continuou, com altos e baixos, passando as dificuldades inerentes a uma relação que não conta com a aprovação de um ente de quem uma das partes depende tanto.

Momentos maravilhosos e momentos ruins foram vividos, superados, chorados, discutidos... tudo sempre do modo em que os dois gostam de viver seus sentimentos: com intensidade!

Mas também é óbvio que o tempo passa a exigir algumas coisas, algumas posturas; aliado ao tempo, certas circunstâncias também contribuem para que mais exigências se tornem necessárias.

A certeza de que se veriam bem menos com o final do curso que faziam há quase 4 anos, fez com que o coração masculino da relação ficasse "apertado" e já começase a antecipar o vazio que a ausência da amada iria causar em sua rotina.

Pensava ele ser natural, ainda mais após uma conversa crítica de mais um dos momentos de "baixa" do casal, onde perceberam que um era muito importante para o outro e de que o amor, do qual momentaneamente chegaram a duvidar, em relação ao outro, só estava adormecido, mas que nunca deixou de existir, pois não teria como voltarem a senti-lo com tanta intensidade, caso ele não estivesse ali, quietinho.

E quando as coisas pareciam começar a se assentar, eis que veio a percepção, por parte dele, de que havia algo de errado em tanto medo da sua amada com as mudanças [ou exigências] que precisariam acontecer para que eles buscassem ter mais tempo juntos e passar a viver essa relação mais constantemente e não somente aos sábados [como era o que vinha acontecendo]. Tal sensação só era aplacada pelo presença quase diária de ambos, na universidade

Após diversas conversas, percebeu-se que o medo era por conta do inevitável [????] confronto em casa para que o namoro se torna-se VISÍVEL!! :(

Por 2,5 anos a invisibilidade se fez necessária para que o clima caseiro para ela não fosse ruim, para que ela não ouvisse alguns comentários da sua família, sobretudo da sua mãe.

E isto afetou de certo modo a relação, já que ele se mantinha passivo em relação a essa situação e aceitava a tal invisibilidade.

Mais um momento decisivo se aproxima. É hora de ver a reação dos envolvidos nessa história e saber qual será o comportamento das partes.

Infelizmente ele nunca foi nenhum exemplo de otimismo, ainda que não se considere uma pessoa pessimista. E só tempo dirá até onde esse amor pode levá-los e quem vencerá esta história: o que eles reputam como a maior história já vivida por ambos ou a frieza lógica de uma moral que, por mais que queiram fazer com que ele entenda, é, no mínimo, discutível.

23.6.10

Fidelidade: podemos confiar nela? [ou da série: A vida como ela é!]

 O que pretendo falar aqui é sobre aquilo que, via de regra, esperamos do nosso parceiro amoroso: a fidelidade.

Evitarei falar aqui de "certo" ou "errado" por entender que cada um sabe o que é melhor para si mesmo.

Começarei com os tipos de fidelidades que conheço ou ouvi falar. Em verdade são apenas duas: a fidelidade ideológica, termo que ouvi pela primeira vez de uma ex-colega de universidade, e a fidelidade sentimental, termo que cunhei a partir do momento em que ouvi, da tal colega, o termo acima dito. Mas vamos a elas.

A fidelidade ideológica seria aquela que nos compele a não trair por uma questão de princípios; o fiel neste caso não trai por não achar correto, injusto, inaceitável ou qualquer coisa do gênero.

Já a fidelidade sentimental é aquela em que a traição não ocorre por não ser possível, para o que tem a possibilidade de trair, compatibilizar o evento com o que sente pelo seu par "oficial".

Lembro que quando ouvi o termo fidelidade ideológica, fiquei pensativo quanto a isto. De pronto imaginei: esta pode ser mais facilmente "quebrada" por algo ou alguém que consiga abalar o alicerce da tal fidelidade, desde que apresente elementos que "conquistem" o parceiro assediado. São raras as pessoas, em tempos atuais, que vejo com a capacidade de manter uma fidelidade baseada numa "ideologia".

O que acho pior [em verdade é mais conveniente] é que por vezes cobramos isto, sem sequer ter certeza de que conseguimos nos manter assim, independente de qualquer coisa. Ou o que justificaria que a nossa ideologia caisse assim por terra, se, em tese, é só dizer que não dá mais ao nosso parceiro, antes de se "entregar" aos deliciosos momentos com outro? Ouso a responder: apesar de tudo, muitos vezes temos elementos que nos mantém presos ao parceiro "oficial". Porém a sede pelo novo é algo que compele a se permitir viver algumas coisas, alguns impondo limites a si mesmo que sejam aceitáveis [para ele próprio, e não para o parceiro, frise-se.]


Eu vivi os dois lados da situação e afirmo: não acredito mais nisso de fidelidade ideológica, pelo menos não quando ela não tem o reforço dos sentimentos pelo parceiro.

Já a fidelidade sentimental, essa sim, eu consigo confiar mais. Eu diria que ela é mais "dura na queda". Entendo que ela reduz consideravelmente as chances de que alguém surja, com todo o seu charme, todas as benesses dos momentos maravilhosos que se pode ter com o assediado, dos elementos "novos" [como se já não tivéssemos vivido aquilo antes e, muitas vezes, até mesmo com o nosso atual parceiro], fazendo com que pensemos coisas do tipo: "como é bom sentir isso de novo", "meu parceiro já não me faz sentir assim". Vale dizer que, infelizmente, nem sempre esses últimos pensamentos estão equivocados.

Sem dúvida, quando estamos amando, a tarefa de ser conquistado se torna mais árdua para quem chega. Não que seja impossível, mas acho que dois elementos são necessários:
1. a forma como o terceiro chega, se impõe e mostra suas virtudes e;
2. o trabalho psicológico a que temos que nos impor para quebrar o nosso pacto de fidelidade [ainda que seja só um pacto interno, de quem prometeu a si mesmo, por convicção apenas, por exemplo].
Cumpridas essas fases, nada impediria de que a traição fosse questão de tempo. Mas existe algo que pode impedir o passo nº 2: o amor, a paixão.

Não que o fato de alguém me falar que nunca pretende me trair, baseada nos seus princípios, não seja importante para mim. Claro que sim, afinal é melhor tentar acreditar nisso do que a pessoa dizer que não está nem aí para isso de ser fiel. Mas não tenho dúvida de que dificilmente acreditarei que "só" os princípios de quem quer que seja serão suficientes para bancar a segurança do que é dito, quando um teste "de verdade" acontecer.

A força de uma pessoa que chega com um jeito encantador, provocando sensações, mostrando o melhor de si, é grande e a possibilidade de sermos atraídos por esses sentimentos, desejos, não é pequena.

Não confio nos que se permitem. Nem creio que eu mesmo seja confiável, caso resolva, eu mesmo, me permitir . A melhor coisa a fazermos é dar um basta tão logo seja possível. Penso que quanto mais conseguirmos agir assim, tão mais confiável seremos [para o nosso parceiro, inclusive].

Permito-me agora falar de mim atualmente: tenho um compromisso e quero mantê-lo firme. Sei que não sou infalível, portanto não quero me expor a situações que possam colocar minha infalibilidade em xeque. Mas também acredito que as coisas que sinto, além do compromisso, me darão a força suficiente para continuar pensando assim.

Quando não conseguirmos resistir, resta torcer por duas coisas: ou que nosso parceiro nos perdoe ou que o outro valha a pena.

O controle [ou da série: A vida como ela é!]


Controle. O que vem a ser isso, que, de modo insistente, costumamos dizer ter, fazendo com pareça termos um maior domínio das ações nas nossas vidas?


Carrego há tempos a sensação de que somos responsáveis por nossos atos e que quase a totalidade das decisões que tomamos é de foro íntimo. Porém sei que fatores externos podem fazer com que as nossas decisões sejam diferentes das que tomaríamos em situações normais.

Por discutir muito sobre isso com a minha namorada, vou direcionar isto para o campo das relações humanas.

O controle que temos para afastar outra pessoa que se mostra interessada é possível até o momento em que não começamos a ter nossa percepção alterada por um interesse surgido da nossa parte. O problema é que sempre maximizamos a nossa capacidade de dar um basta a qualquer momento ou se for atingido determinado limite.

Mas será que isto deixa o nosso parceiro numa zona confortável de segurança? Eu não me sinto. Creio que o parceiro só vai se sentir seguro, quanto mais "rasteiro" for esse limite para que o seu amado tome as devidas providências quanto a rechaçar qualquer possiblidade de aproximação de outro.

Muitas vezes não levamos em conta que estamos lidando com a capacidade de terceiros de nos fazer mudar de opinião, de quebrar alguns "protocolos", de nos deixar interessado... muitas vezes pagamos para ver!

Não vejo problema se é isso que a pessoa quer para si, ou caso não tenha o compromisso explícito ou mesmo velado na relação, ou, ainda, se a cabeça está trabalhada para o que der e vier, pronta para assumir qualquer consequência.

O problema é quando cedemos a questões momentâneas [e quem não está sujeito a isso?]. A vida é feita de momentos [marcantes] e por vezes outra pessoa pode nos proporcionar momentos melhores do que os que o nosso parceiro nos proporciona. Quem vive uma relação longa sabe bem o que é isso.

E está "errado" seguir esses impulsos? Não creio. Só temos que ter a certeza de que estamos tomando um decisão e que ela vai nos levar a algum resultado.

Defendo que não devemos ser racionais o tempo todo, mas eu carrego algo comigo: a de tentar não provocar dor, sofrimento, nas pessoas por quem tenho apreço. Infelizmente nem sempre consigo. Mas assim é a vida.