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5.10.10

Política, eleições e breve relato de uma decepção

TENHA MEDO!!!!!!




Iniciarei a presente postagem com um texto de Bertolt Brecht, talvez já de pleno conhecimento da leitora dos leitores desse blog:

"O Analfabeto Político
O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."

Desde o início da minha consciência [ou "alfabetização"] política, posicionei-me como alguém com certa predileção pela esquerda, haja vista entender que o discurso político dos partidos/candidatos que se colocavam nesta linha ideológica se aproximavam mais das coisas com que sempre acreditei. 

Concomitante ao meu despertar político surgia um candidato oriundo das classes trabalhadores e de um partido emergente que propunha um discurso que me encantaram. Ali estava nascendo a minha simpatia partidária com o Partido dos Trabalhadores e com o seu principal nome, o hoje presidente Luis Inácio da Silva.

E durante suas 4 primeiras campanhas presidenciais, estive ao seu "lado", discutindo com amigos, familiares, colegas de trabalho e qualquer pessoa que se mostrasse disposta a discutir os rumos políticos do nosso país e que ele seria a solução para que o Brasil pudesse pegar o bonde da história e ser colocado nos trilhos do progresso.

Nunca esperei que quem quer que fosse transformasse o Brasil numa Suíça em 4, 8 ou 50 anos, mas imaginava que poderíamos ver resgatados o orgulho de fazer parte desta nação, o respeito pelas pessoas e, principalmente, a moralidade no trato da coisa pública, uma vez que Lula e o PT se colocavam como baluartes dessa moralidade há tempos perdida.

Qual nada! Exatamente como seus antecessores [quiçá num nível até maior], as notícias sobre corrupção, os conluios arranjos políticos em nome da governabilidade, o resgate de nomes já quase mortos e esquecidos no cenário político, renovando-lhes as forças, tais como Sarneys, Collors, entre outros, mostraram que as coisas definitivamente não seriam muito diferente do que vinha sendo.

E tome dinheiro em cueca, em meias, pizzas e mais pizzas oriundas do Antro Congresso Nacional, mensalões, mensalinhos e o diabo a quatro... tudo com o apoio velado da nosso cego presidente[que nunca via ou sabia de nada].

Todos esses fatos me tornaram um descrente nos discursos da quase totalidade de políticos. Partidos políticos e seus discursos ideológicos já não enchem meu imaginário de um país diferente, pois esta corja de profissionais da politicagem, que só visam seus sonhos de crescimento patrimonial e acúmulo de poder para traficar influência a torto e a direito.

O fato é que me cansei de buscar algum nome que possa fazer uma [necessária] revolução nesta republiqueta, principalmente pela minha visão um tanto quanto catastrofista: não vejo como ficar melhor. Nâo sou dos que tem esperanças baseadas em nada ou simplesmente na fé.

Pela primeira vez votei nulo. Nulo do primeiro ao último cargo político. Com a disputa eleitoral para presidente polarizada [e sinceramente não consigo entender porque sempre ficam nos mesmos partidos]. Acaso eu resolvesse votar em algum dos candidatos à presidência, sem dúvida seria Marina Silva, mas não o fiz pois quis engrossar os votos nulos só para que estes demonstrem que um percentual considerável da população não se mostra satisfeito com os rumos políticos e, mais ainda, com o tipo de política em voga no nosso país.

Não me considero um analfabeto político, sei que decisões tomadas nessa área trazem grande influência em nossas vidas, mas não me sinto obrigado a escolher um nome só para parecer que faço parte de um processo democrático que, em verdade, considero carente de nomes dignos, centralizadores e capazes de promover as mudanças que considero necessárias. E que venha o segundo turno e mais votos nulos [pelo menos da minha parte].


2.10.06

Eleições - corrida presidencial!

Bem... outro engano meu! Imaginava que Lula pudesse faturar já neste primeiro turno, mas teremos um segundo turno, bem mais equilibrado do que poderia imaginar o mais fanático dos tucanos!

Fazendo uma comparação dos números:

Apuração [final]
Lula/PT: 48,61%
Alckmin/PSDB: 41,64%

Por Estado:
O petista chegou na frente em 16 estados: Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins.
O peessedebista venceu no Distrito Federal e em mais 10 estados: Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

Por região [em números de votos absolutos]:
Lula venceu nas regiões Norte e Nordeste
Alckmin nas outras três: Centro-Oeste, Sul e Sudeste

Por região [quantidade de estados em que cada candidato venceu]:
Norte: Lula 4 x 3 Alckmin
Nordeste: Lula 9 x 0 Alckmin
Centro-Oeste: Alckmin 4 x 0 Lula
Sudeste: Lula 3 x 1 Alckmin [Alckmin venceu apenas em SP, mas ficou na frente em número de votos na região]
Sul: Alckmin 3 x 0 Lula

Esperemos agora o 2º turno. Difícil apontar um prognóstico, mas penso que Alckmin chegou com bastante força nesta reta final. Não será surpresa alguma que ele consiga superar Lula, que terá que se expor mais e terá muitos dos escândalos ocorridos no seu governo trazidos à tona!

Para quem quiser conferir os resultados para os cargos majoritários [Presidente, Senador e Governador] em cada estado é só ir no link da Justiça Eleitoral abaixo ou do UOL, que fez uma ótima cobertura [mostrando, inclusive, o resultado para todos os cargos] :

Justiça Eleitoral
UOL

Eleições - Fim do Carlismo??

Eu, que julgava impossível uma derrota de ACM e seus comandados, fiquei surpreso com o resultado das eleições aqui na Bahia!

A derrota de Paulo Souto/PFL, o candidato a reeleição para o governo do Estado, foi, ao meu ver, uma agradável e necessária mudança e um fim ao carlismo. Se esta mudança é apenas temporária, isto só a gestão petista, que se iniciará pela primeira vez na história do governo estadual baiano, dirá!

O fato é que, em outras eleições, a capital baiana dava indicios da possível mudança dando sucessivas vitórias a candidatos de oposição ao governo carlista, como a derrota do mesmo Paulo Souto/PFL para Nelson Pelegrino/PT na corrida ao Governo do Estado ou a derrota de ACM para o Senado ficando atrás de Waldir Pires/PT; o que salvou a ambos [Souto e ACM] foi a expressiva votação no interior. Vale lembrar também a recente derrota na tentativa de sucessão à prefeitura de Salvador, quando João Henrique/PDT venceu César Borges/PFL de forma acachapante no 2º turno.

Vendo os números deste ano, é possível perceber que esta situação vem se confirmando e, pasmem, se ampliando para o interior do estado, onde o PFL [e seus aliados] devem possuir mais de 85% das prefeituras [tendo portanto a famigerada máquina administrativa a seu favor, em tempos de eleições].

Em Salvador a oposição a ACM continua forte [como já é de praxe], senão vejamos:

Governador:

Jaques Wagner/PT - 56,71%
Paulo Souto/PFL - 34,15%

Senador:

João Durval/PDT - 51,96%
Imbassahy/PSDB - 30,33%
Rodolfo Tourinho/PFL - 16,14%

No segundo maior colégio eleitoral da Bahia, o município de Feira de Santana [a Princesa do Sertão], Wagner também conseguiu vencer [53,03% a 39,89%] e João Durval teve uma vitória ainda mais expressiva sobre os outros dois candidatos alcançando 66,60% dos votos válidos [contra 23,67% de Tourinho e 9,20% de Imbassahy].

Torçamos agora para que a oposição faça jus ao crédito dado pela população e mantenha a sombra carlista distante por um longo tempo!


24.8.06

Tempos de eleição!

Estamos nos aproximando das eleições, que ocorrerão em outubro, para a escolha dos seguintes cargos eletivos: Presidente da República, Senador, Deputados Federal e Estadual e Governadores.

Após a sensação de desilusão que tive com a quadrienal gestão petista, mantive durante um período a idéia fixa de votar nulo e para isto contribuiram diversas campanhas que diziam que caso mais de 50% dos eleitores votassem desta forma, novas eleições seriam convocadas, com o conseqüente afastamento daqueles que estavam concorrendo naquele pleito. Hoje, comprovada a inveridicidade da notícia, afastei também tal possibilidade.

Não concordo com a postura petista [imposta principalmente pela alta cúpula] e com a falta do único baluarte com o qual cheguei a convencer algumas pessoas a dar oportunidade para uma experiência com a esquerda no poder: o moralismo no tocante a coisa pública!
As sucessivas tentativas de operação abafa em alguns escândalos que insistiam em vir à tona, mostraram-me uma faceta que até então não havia percebido: a de que o PT [ou pelo menos a alto clero do partido], infelizmente, era igual àqueles a quem sempre criticaram.

Entristece-me ouvir das pessoas que eu não deveria/poderia confiar nos políticos e que todos são iguais! Isto sempre soou de forma agressiva, pois a partir desta premissa acredito que não posso nunca confiar no ser humano! Faço algumas afirmações como a de que "o que temos no Congresso Nacional e outras instituições de poder é um reflexo do que é a sociedade brasileira de uma forma geral"; a diferença é que lá a corrupção se manifesta em larga escala, pois são tentados mais freqüentemente e com tentações mais suntuosas!

Resta, para mim, dar uma guinada mais a esquerda uma vez que o PT, partido pelo qual sempre nutri uma grande simpatia, adotou moveu-se para uma nova postura mais centrista! Vislumbro poucas possibilidades, mas só cogito utilizar do meu instrumento de participação neste processo, que é o voto, fazendo a opção por Heloisa Helena ou Cristovam Buarque [este último porque não tenho dúvida de que é o que tem uma maior preocupação com o sistema educacional no nosso país].

Como não nutro a expectativa de mudanças através de um diálogo com a elite, diálogo este que hoje entendo como estéril, gostaria de ver alguém que causasse um certo frisson nesta elite que não quer ceder nem um pouco da sua parcela de poder!

Ainda que digam se tratar de um discurso retrógrado, ultrapassado, que não podemos tomar determinadas atitudes por conta do processo de globalização e pela inserção do nosso país neste modelo, afirmo que enquanto este modelo não se mostrar como um minimizador das desigualdades sociais e não começarmos a sentir na pele, aqui embaixo, melhoras palpáveis serei contrário ao mesmo.

Pensar de forma coerente sobre o que queremos em termos políticos é o que se espera neste últimos meses antes da nossa definitiva escolha. Penso que os que querem a continuidade deste modelo ou que ainda conseguem acreditar na gestão Lula devem votar na permanência do atual presidente; mas os que acreditam na possibilidade de mudança terão que fazer uma opção diferente da dupla Lula/Alckmin.

18.7.06

Bolsa-família, cotas e soluções!

Há alguns dias, ao chegar na universidade deparo-me com uma acalorada discussão a respeito de preconceito racial. Vivo em Lauro de Freitas [Região Metropolitana de Salvador] e trabalho na capital baiana, cidade que tem um altíssimo contingente de negros e pardos.
Lembro que quando comecei a cursar Administração, nos idos de 2.001, na Uneb/Salvador [hoje curso Direito na Uneb/Camaçari], de uma turma de 40 alunos, apenas 2 eram negros[!!!] Percebe-se uma clara distorção nisto!

Daí entendo o porquê das cotas nas universidades públicas: a necessidade de dar a oportunidade de mudança/ascenção social àqueles que teriam bem mais dificuldades de conseguir promover estas mudanças por outras formas que não as que hoje estão estabelecidas. Entendo que os negros/pardos busquem a afirmação da sua cultura e, mais ainda, da sua dignidade que reside no próprio orgulho de se afirmar como negro [ou pardo] sem ser olhado de forma diferenciada [negativamente] pela minoria branca [no caso específico de Salvador].

Daí me vem alguns questionamentos, tais como:
  1. o negro/pardo não entra na universidade por causa da sua etnia? Ouso tentar responder de pronto: NÃO!
  2. se o intuito é a correção de uma distorção social o que dizer da exclusão que será causada aos brancos [pobres] que vivem a mesma realidade que a maioria empobrecida da população negra, uma vez que eles vêem as suas possibilidades de transformação sócio-econômico-cultural mais reduzidas ainda?
Que existe no nosso país um preconceito velado, não tenho dúvida. Sempre que converso com as pessoas acerca do tema, vejo de uma forma muito comum o seguinte chavão: "o maior racista é o próprio negro" [ou qualquer coisa que se assemelhe a isto] num escapismo fácil, como que tentando justificar uma postura de que se alguns deles são, porque eu não deveria ou poderia ser.

Quanto a outros programas assistenciais, até busco entender quando o governo Lula promove o "repasse" de verbas públicas para as camadas menos abastadas da população no "maior programa de transferência de renda" já feito no Brasil! A fome urge e talvez aquilo faça a diferença entre sobreviver ou morrer para muitas pessoas.

Bem, agora vamos às polêmicas:

Eu entendo, mas não concordo com a política de cotas da forma como ela foi implementada, porque não percebo uma iniciativa por parte do governo em buscar as causas dos problemas por nós vivenciados: a falta de uma boa educação de nível fundamental e de nível médio. Isto significa que teremos de conviver indefinidamente com esta situação! Além do que só se mudará a situação daqueles que tiverem acesso ao ensino superior; no mais continuaremos a ter mais e mais analfabetos funcionais, graças a dilapidação do nosso ensino público [exceção feita às universidades - não que o governo não venha se esforçando para isto também].

Discordo de forma veemente dos assistencialismo governamentais, quando os mesmos não permitem a mudança de uma perspectiva! Outro engodo é o bolsa-família, ou alguém acha que um valor máximo de R$ 95,00 por família será capaz de reverter qualquer situação precária em que se encontre aqueles que, em tese, dependem desta verba! Não posso ser insensível e, como já afirmei acima, sei que este valor pode ser a diferença entre mais alguns dias de vida ou a morte para alguns... mas eles terão apenas isto: a sobrevida!

Acho que esta forma se trata de um escapismo fácil do governo, querendo nos fazer acreditar que ele tem feito a sua parte, relegando à miséria e a reprodução dela de uma parcela considerável da população!

Agora, vem a contradição: se me perguntarem se acho que o governo deve cortar de pronto estas medidas, direi, categoricamente, que NÃO! Só acho que o Estado deveria buscar, concomitantemente, soluções definitivas, numa discussão mais aberta com os mais diversos segmentos sociais. Faria uma ressalva quanto às cotas que não acho que deva ser para os afrodescentes e sim para os alunos da rede pública, sem perder de vista a necessidade da melhoria deste mesmo ensino, com a fixação de uma meta e o desaparecimento do sistema quando da consecução do objetivo estabelecido.

Alguém que se declare como branco e se declare como tal, não poderia prestar o vestibular da Uneb [instituição na qual faço um curso de graduação] porque as cotas são direcionadas para os afrodescentes, mesmo que preencha os requisitos. E a verdade é que até hoje não sei exatamente o que é ser afrodescendente?? É ser um praticante/apreciador da cultura de influência africana? É ter cor de pele negra/parda?

Se o nosso governo [e não me refiro somente ao atual] buscasse o cumprimento das suas funções sociais [elencadas na nossa Carta Magna] e oferecesse dignamente o mínimo que se espera dele talvez tais medidas não fossem necessárias!

14.6.06

Sujeira na pizzaria!!

RAPIDINHAS

1. Tempo desses alguns dos nossos legítimos representantes receberam conteúdo "suspeito", que tinha aparência de fezes, cheiro de fezes, envoltos em papel higiênico [só faltaram experimentar para ter a certeza - ehehehe]. As vítimas foram os deputados: Gilmar Machado (PT-MG), João Fontes (PDT-SE), Vadão Gomes (PP-SP), Iara Bernardes (PT-SP), José Mentor (PT-SP), Durval Orlato (PT-SP), Irineu Colombo (PT-PR), José Janene (PP-PR) e João Alfredo (PSOL-CE). O senador Renan Calheiros, presidente do Senado, comentou o fato, ainda que nenhum de seus pares tenha recebido a merecida correspondência, dizendo que "o Congresso é um retrato da sociedade" [até concordo com ele] e "que não existe democracia sem representação da sociedade. O senador ainda pediu que "as pessoas que generalizam deveriam pensar primeiro nisto".
Quer saber: merda para o Renan Calheiros e para todos os Congressistas. Parabéns pela iniciativa de quem quer que a tenha tomado. É preciso que eles saibam que não estamos satisfeitos e precisamos de forma mais abrupta mostrar a nossa indignação. Ou alguém ainda nutre a ilusão de que a elite dominante e os nossos "representantes" serão capazes de mudar o seu posicionamento com um "diálogo civilizado"?

Fico emputecido quando vejo estes comentaristas de telejornais, editores de jornais falando que num democracia, numa cultura civilizada, estes atos devem ser tomados como 'bárbaros', 'rudes', de 'extremo mau-gosto' e outras expressões com as quais (des)qualificam a iniciativa. O que penso é que estou cansado de toda esta verborragia que nos quer prostrados e dizendo amém a todo o desmando dos que dizem nos representar no principal Casa Legislativa do país!

Prefiro o sarcástico comentário de José Simão [colunista da Folha de São Paulo] que diz que "eles só estão recebendo de volta o excesso daquilo que andam fazendo"

13.4.06

Enquanto isto na República das Pizzas (ex-República das Bananas)...

Ali Babá e os 40 Ladrões

O Ministério Público Federal indiciou 40 ladrões, digo, pessoas por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva, além de peculato no escândalo que ficou conhecido como mensalão. A mega-denúncia, que foi protocolado no STF pelo procurador-geral da República Antônio Fernando de Sousa, não cita o presidente Lula como participante do esquema; mas não pensem que o MPF desistiu: eles estão buscando provas agora contra o nosso míope presidente. Aguardemos!

Quem quiser ler a íntegra da denúncia do MPF é só clicar aqui (está no formato pdf)

Ética? Que ética?

Alguns deputados que compõem o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados afirmaram que pediriam a saída do citado Conselho por não concordarem com a posição do plenário quanto a série de absolvições dos deputados denunciados no esquema do mensalão. A gota d'água foi a absolvição do deputado João Paulo Cunha (PT/SP). Existe um pedido dos deputados que as sessões no plenário deixem de ser com voto secreto. Assim poderemos ter a certeza de como cada deputado votou em assuntos aos quais tenhamos interesse.

Até o momento os deputados que entregaram uma carta de renúncia foram:
Chico Alencar (PSOL-RJ)
Júlio Delgado (PSB-MG)
César Schirmer (PMDB-RS)
Benedito de Lira (PP-AL)
Carlos Sampaio (PSDB-SP)
Orlando Fantazzini (PSOL-SP)

2.4.06

Resumo do caos!

Tomo a ousadia de reproduzir na íntegra o artigo publicado na coluna semanal de domingo do João Ubaldo Ribeiro, no jornal A Tarde (Bahia). Aqui ele expõe com uma clareza ímpar a sensação de descrença e de descrédito para com algumas das mais importantes instituições (Supremo, por exemplo) , além dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, nos quais a corrupção encontra-se arraigada; sem mais delongas, vamos ao artigo:

Me visitem na cadeia

"Passei uns dias fora, sem ler jornais ou ver televisão. Deve ter sido esse afastamento fugaz das notícias a razão por que, ao voltar ao convívio delas, tomei um susto. Bastaram esses dias para minha perspectiva se apurar, por assim dizer, e eu sentir em cheio a assombrosa desvergonha a que chegaram o Brasil e suas instituições. Com perdão da má pergunta, que país é este, meu Deus do céu? Resolvi tomar a liberdade de dizer o que me parece no momento, sem eufemismos ou ressalvazinhas bestas, embora, é claro, me arrisque bastante. Posso ter meu sigilo bancário aberto — o que certamente provocaria frouxos de riso nos bisbilhoteiros —, assim como qualquer outro sigilo, pois o governo demonstrou que não merece confiança e é destituído de escrúpulos. Portanto, nenhum dos nossos dados a que é garantida confidencialidade está seguro. Ou de repente escarafuncham meu passado e descobrem um contemporâneo capaz de jurar que eu colei numa prova de latim do ginásio e portanto passei fraudulentamente, o que será considerado crime hediondo por algum tribunal desses do Executivo, que por aí abundam. Finalmente, como não empregarei eufemismos, não é impossível que me acusem de calúnia, difamação ou injúria e eu venha a ser condenado pelo que se considerará um ou mais desses crimes, apesar de que, no meu parecer, se trataria de delito de opinião, figura que não existe, mas que pode perfeitamente ser posta em prática, sob nomes artísticos que lhe emprestem a aparência de legitimidade.

"Começo, não sem certo enfado, a dizer o que penso do Executivo, na figura do nosso presidente. Sua conduta me tem transmitido a impressão de que ele é enganador, cara-de-pau, evasivo, fanfarrão, oportunista, ardiloso, demagogo e cínico o suficiente para encarar com desplante todo mundo saber que ele é candidato, mas se aproveita de brechas na lei para fazer campanha às custas do erário e não raro enganosamente. Acho que só é de fato sincero quando se apresenta como o melhor presidente que “este país” já teve, pois o movem as certezas absolutas que a ignorância costuma suscitar. O povo é engabelado por cestas e bolsas mil, enquanto as reformas que efetivamente o redimiriam não vêm e tudo indica que não virão. Tampouco tenho — admito que muito subjetivamente — boa impressão do caráter de Sua Excelência e da sua propalada fidelidade aos amigos, diante da gana de grudar no poder.

"Estendo-me, com igual ou maior enfado, ao Congresso e em particular à Câmara. Fazendo as exceções que com certeza são em menor número do que a gente esperançosamente pensa, na minha opinião o Congresso abriga elevada população de faltos de hombridade, larápios, carreiristas, mentirosos, venais, descarados, aproveitadores e membros da futura escola de samba Unidos do Deboche, tal a desfaçatez com que perderam o senso dos limites e da compostura e acham que podem fazer qualquer coisa, inclusive transformar a Câmara em gafieira. Cobertos de privilégios incogitáveis em qualquer país civilizado, os deputados quase não trabalham, trocam de partido em busca de vantagens pessoais e agora só faltam dizer-nos que comamos brioche ou que os incomodados se mudem. Continuarão a desrespeitar e aviltar o pouco que nos deixaram de dignidade e a protagonizar o que poderia ser chamado de chanchada ou ópera bufa, se isto não insultasse essas duas categorias artísticas.

"Minha opinião sobre o Judiciário é que o número de juízes desidiosos ou venais é imenso, o povo não tem confiança na Justiça e ela própria muitas vezes parece não alimentar respeito por si mesma. Não consigo imaginar um juiz da Suprema Corte americana, que inspirou a criação do nosso Supremo Tribunal Federal, distribuindo entrevistinhas a torto e a direito. Tenho certeza de que estaria ameaçado de impeachment o magistrado da Suprema Corte que fosse cumprimentar um advogado de defesa que ganhou uma causa na qual esse mesmo juiz atuou. A Suprema Corte é sagrada, como devia ser o nosso Supremo. Mas, ainda na minha modesta opinião, o Supremo se tem abastardado em inúmeras ocasiões e nunca sua imagem foi tão vulgar e deslustrada.

"O que eu penso do nosso sistema político é que falta um bom nome para designá-lo, pois democracia é que não é. Tentando assim de orelhada, ocorrem-me cacocracia, cleptocracia, hipocritocracia ou, melhor ainda, pornocracia, pois é muito menos pornográfico um travesti se exibindo na avenida Atlântica, para faturar um dinheirinho com os pais de família inatacáveis que constituem a parte mor de sua clientela, do que um vendilhão da pátria, um traficante de votos, um deslumbrado pelo poder, um criminoso disfarçado sob alegações grotescamente entortadas. E penso que nosso país é hoje moralmente flácido e desorientado. Não é incomum que o cidadão não consiga agir corretamente porque o sistema é tão corrompido que não aceita a integridade — ela nos é cada vez mais uma estranha. A corrupção está em toda parte, da gasolina adulterada ao peso roubado nos produtos embalados, aos remédios falsificados, aos atestados forjados, às instituições de caridade trapaceiras e a tudo mais que nos rodeia, onde sempre suspeitamos da existência de uma mutreta, pois a mutreta é o nosso modus operandi trivial.

"Havendo assim expressado com franqueza minhas opiniões, no que julgo ser o exercício de um direito que, mais que constitucional, é direito humano basilar (sou jusnaturalista da velha guarda, colegas bacharéis), estou disposto a enfrentar as conseqüências a porventura advirem do que acabo de escrever. Se me processarem e prenderem, espero que o Dr. Fernando Henrique, que processado já está sendo, também acabe preso. Achei meu diploma em Itaparica e tenho a mesma famosa prerrogativa de cárcere especial. Mas receio que, numa insólita confluência de posições, ambos peçamos celas separadas."


João Ubaldo Ribeiro
escritor

Só algumas considerações da minha parte:

1. se tivesse que qualificar o governo Lula em termos de posicionamento ideológico, a grosso modo, dar-lhe-ei a denominação de novíssima direita (como disse o genial antropólogo e professor da UFBA Roberto Albergaria);
2. sempre critiquei o governo PSDB e o seu neoliberalismo pela política econômica adotada, portanto não posso achar que, de uma hora para outra, este seja o modelo ideal só porque o candidato em que votei e em quem confiei (usurpador de sonhos) muda de opinião (???) e afirma que o país está nos trilhos do desenvolvimento;
3. não acho que Lula tenha mudado, penso que o poder deu-lhe a oportunidade de mostrar a sua verdadeira face (o poder/dinheiro não muda as pessoas, só fazem com que elas mostrem que são na verdade);
4. não é por assistencialismos oportunistas e que servirão de mote para campanha eleitoral que vejo Lula como um bom presidente para nossa republiqueta; isto tudo qualquer um, talvez até mesmo os tucanos e pefelistas, faria (aliás, servir-nos migalhas é o que melhor sabem fazer);
5. todas as críticas que costumo fazer em relação ao nosso país não significa que não gostaria de vê-lo melhor; só que fico indignado com tantos desmandos. Penso que, de forma global, somos um povo sem iniciativa, altamente passivo e que acha que todos estes desmandos que ocorrem um dia passarão, como se a elite fosse, de uma hora para outra, mudar a sua posição porque precisa diminuir as desigualdades sociais;
6. podem me chamar de retrógrado, obsoleto ou o que quiser, mas só vejo uma forma de mudar a situação: revolução!! Digo isto baseado no ponto onde chegamos. Não estou pregando revolução pelo mundo afora, mas penso que no nosso caso específico é a única solução. Só quando os "Falcões" quiserem descer do morro e cobrar a sua fatia do imenso bolo, do qual nem migalhas recebem, é que a elite se sentirá pressionada a saciar um pouco mais a nossa fome; só quando tivermos a consciência de que o governo está aí para a manutenção do status quo e que "eles" não farão nada enquanto não mostrarmos que estamos dispostos a tudo para obtermos o mínimo para vivermos dignamente!
7. só para reforçar a minha posição no item anterior, a eleição no ano que vem provavelmente ficará polarizada entre o PSDB de Alckmin (???) e o PT de Lula (e tudo continuará como antes, se não ficar pior)! Assim sendo, provavelmente votaria nulo no segundo turno (caso ele venha a acontecer entre os candidatos supracitados)
8. penso que o que estamos vendo no Congresso, no Supremo (e outras instâncias do Judiciário) e no Executivo (em todas as esferas - federal, estadual, municipal) nada mais do que o reflexo do que é a nossa sociedade; os políticos representam, ao meu ver, o que é o povo brasileiro de uma forma global: corruptos e que querem estar "sempre numa boa", independente de como estejam os outros! Porém vamos a boa notícia: sem justiça e diminuição da desigualdade social não há como se esperar paz! E a violência há de bater à porta da elite!

E tenho dito!

25.10.05

Tal qual a lenda da Fênix...

eis-me ressurgindo das cinzas! :))

Depois de alguns dias sem nada postar (aliado à falta de inspiração, o meu provedor deixou-me na mão o final de semana passado). Deixem-me por a mão na massa.

RAPIDINHAS:

Agora vai feder!

Li dia desses que a CPI do mensalão fará um recuo de 7 anos e vai averiguar a emenda da reeleição de FHC. Bem, se esta CPI for minimamente séria vai ver que a sem-vergonhice não surgiu de uma hora pra outra no governo de Lula! Quero ver o que falarão os críticos de plantão que só viviam baixando o pau no nosso moribundo presidente e, estranhamente, não teciam nenhum comentário ao governo entreguista de Fernando Henrique!

Vitória do "Não"

Foi um banho! Foram 63,9% pro "NÃO" e 36,1% pro "SIM".
Vejo este resultado como uma resposta à incompetência dos nossos governantes, que não conseguem garantir uma sensação de segurança a população. Estive vendo umas estatísticas, que nem sempre podem ser de plena confiança, mas vamos lá: no Brasil em apenas 3,5% dos domicílios existem armas (são 52% nos EUA, 30% no Canadá, 24,5% na França), mas são 27 homicídios para cada 100.000 habitantes aqui na República das Bananas (são 6 homicídios para a mesma proporção nos EUA, 3 no Canadá e 1,5 na França), ou seja, o problema não é possuir arma em casa e sim sócio-econômico-educacional, além da sensação de impunidade reinante entre o nosso povo. Bem feito pro governo!

Agora boa música para alegrar um pouquinho

Mais uma banda britânica!
Stereophonics formada em 1996, no País de Gales, já lançou 5 álbuns. "Performance and Cocktails" foi o 2º álbum da banda, lançado em 1999. A formação inicial da banda era: Jelly Jones (vocal/guitarra), Richard Jones (baixo) e Stuaret Cable (bateria), sendo que este último foi substituído pelo hermano argentino Javier Weyler em 2004.
Rock de boa qualidade, como tem sido comum no Reino Unido! Tem como destaques as faixas "Hurry Up and Wait", "Is Yesterday, Tomorrow, Today", "A Minute Longer" e "She Takes Her Clothes Off" (na verdade o álbum é recheado de boa música). Boa audição!

Stereophonics - Performance and Cocktails [parte 01] (formato zip)
Stereophonics - Performance and Cocktails [parte 02] (formato zip)

Relação das músicas:

1. Roll up and Shine
2. The Bartender and the Thief
3. Hurry up and Wait
4. Pick a Part That's New
5. Just Lookin
6. Half the Lies You Tell Ain't True
7. I Wouldn't Believe Your Radio
8. T-Shirt Sun Tan
9. Is Yesterday, Tomorrow, Today?
10. A Minute Longer
11. She Takes Her Clothes Off
12. Plastic California
13. I Stopped to Fill My Car Up

7.10.05

Panis et circense...

É, tal qual os imperadores romanos: pão e circo para o povo!

Parece que mais uma vez os politiqueiros do nosso país (do qual não tenho orgulho, devo admitir) vão fazer valer o famigerado jeitinho brasileiro! Já não tenho dúvida de que após a poeira baixar isto tudo vai resultar numa belíssima pizza. E sei também o que vai acontecer: aqueles que renunciaram ou virem a renunciar voltarão de forma triunfal à Casa Legislativa mais importante do nosso país, vide os exemplos do meu conterrâneo ACM, de Jáder Barbalho, José Roberto Arruda.

Caramba, tô ficando cansado! Adoro política (ainda que não seja nenhum expert), mas não agüento mais ver este imenso lamaçal que ela se tornou. Por outro lado posso até entender tudo isto: são brasileiros! Tudo o que estamos vendo lá em cima, é reflexo daquilo que se vê aqui em baixo, ainda que num "nível menor" e que por aqui não cause tantos estardalhaços! Algumas instituições já estão consagradas ("jeitinho brasileiro", "corrupção endêmica") no nosso país e a cada dia vejo mais pessoas de bem, que dão duro e com as quais convivo no meu dia-a-dia ficarem mais descontentes e abandonar a "luta" por um país mais sério.

Eu lamento que o meu filho não possa crescer num pais sério, onde a honestidade seja a tônica e não a exceção; quando acontece um ato de honestidade, o mesmo se torna notícia nos quatro cantos do país e logo vira comentário entre todos, ou ninguém aqui comentou ou ouviu comentários do tipo: "você viu aquele(a) senhor(a) que devolveu aquela mala cheia de dinheiro, eu devolveria apenas a mala vazia!". Putz! Onde é a próxima parada, que eu quero descer!

Pois bem, voltando aos políticos, leia-se ladrões de colarinho branco, eles são exatamente aquilo que representa o nosso povo e a cultura aqui vigente de se levar vantagem em tudo. É lógico que sei que existem pessoas honestas (e não são poucas, ainda que sejam minoria, ao meu ver), mas também entendo que honestidade não seja apenas não se apossar do alheio. A questão toda é que somos desonestos à medida em que as oportunidades para sê-lo vão surgindo. Para os ladrões, digo políticos, se abre uma porta do exato tamanho do nosso país!

Não posso, é lógico, desestimular que continuemos a nossa busca em colocar nos cargos legislativos/executivos pessoas que pareçam confiáveis. Eu fui eleitor de Lula, voto nele desde os idos de 1989 (como eu queria que ele tivesse vencido a eleição naquele ano, com certeza não faria ou daria continuidade a todas estas merdas). Acreditei que ele fosse o candidato mais confiável, sem essa de balela de ser mais preparado por ter formação em Harvard, Oxford, Sorbonne ou onde quer que diabos seja! Ele era, para muitos (inclusive para mim) 'a esperança da Nação!' 'O homem que vinha do seio do povo!' Pensei que não fosse se deslumbrar tanto com o poder, mas foi um ledo engano meu. O que posso dizer para parecer mais conformado é que votei naquele que achei ser o melhor para o país naquele momento e não me arrependo; mas estou profundamente decepcionado!

Insistirei em não votar nulo, afinal, como já afirmou Platão: "A pena por não participares na política, é acabar por ser governado pelos teus inferiores" . Acho que (ainda) não posso me negar a ínfima parcela de poder que tenho, que, em verdade, pouco vale. Mas a minha resistência e a minha crença de que surja alguém que governe para a maioria da população, coisa que nunca foi feita em momento algum da história de qualquer país, está perdendo a força a cada dia. Infelizmente vejo poucas alternativas (candidatos) que renovem as confiança que, em mim, a cada dia se exaurem.

Acho que vou ler de novo duas obras maravilhosas. Uma que representa algo próximo do que vejo como ideal e outra que mostra como normalmente são, infelizmente, o ser humano (tão bem representado pelos porcos). Os livros são: "Utopia", de Thomas More (sonho) e "A Revolução dos Bichos", de George Orwell (dura realidade). Quem sabe consiga voltar a sonhar com a mesma intensidade de outrora!

Ah! Acho que também vou incluir a leitura, que ainda não fiz, de "Desobediência Civil", de Thoreau.