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7.12.06

Textos para um pouco de reflexão!

Nem sempre tudo é tão complicado como parece; nem sempre é tão simples como querem nos fazer crer.

Eu não acredito em muitas coisas além das que consigo comprovar ou sentir de fato, mas busco o caminho de estar bem comigo e com as pessoas que me rodeiam e sei que não existe uma receita para isto! Tento aprender com meus erros, com as experiências vividas pelas outras pessoas... tento me tornar alguém melhor a cada dia! Este é um dos principais objetivos que tenho na minha vida! Quero ser alguém feliz a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo... tanto quanto me seja possível e com aquilo que a vida me oferece!

Não quero fazer sacrifícios que sejam realmente custosos para conquistas a longo prazo... a verdade é que tenho pressa em viver momentos felizes! Não projeto vivê-los daqui a 1, 5, 10 anos!! Nem sei se estarei lá pra curtir o final deste projeto! :P

O que mais urge em minha vida é a necessidade de estar feliz e de fazer as pessoas ao meu lado assim também se sentirem!

Ainda que eu odeie livros de auto-ajuda, lá vão mais dois textos que ajudam na reflexão sobre o que somos e sobre o que queremos. O primeiro, de Fernando Pessoa, intitulado "Poema em Linha Reta" me remete à idéia de que por vezes buscamos parecer ser algo que não somos de fato e de nos preocuparmos em esconder aquilo que parece nos tornar execrável aos olhos dos outros. Nada como termos consciência de nossas limitações e, caso entendamos como algo negativo, buscarmos a correção disto pelo fato de incomodar principalmente a nós mesmos!!
Quero que me amem como eu sou, se possível!!

Poema em linha reta
Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil.
Eu tantas vezes irrespondívelmente parasita,
Indesculpavelmente parasita.
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante.
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo
Toda gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho;
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o "Ideal", se os ouço e me falam.
Que há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

O segundo texto foi um que vi no blog de uma pessoa muito especial pra mim [Mabel], que, diga-se de passagem, tem muitos textos legais [principalmente os que ela posta]. Putz! Ao ler algo do tipo vejo como por vezes tenho sido covarde [mas buscando melhorar neste aspecto], como negligenciamos a nossa felicidade em troca de experiências mornas! Bem deixa eu postar logo:

Quase...
Sarah Westphal Batista da Silva

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

6.11.06

Instantes!!

Há algum tempo me deparei com esta poesia [que mais considero uma lição de vida, independente de ter sido realmente a experiência de quem a escreveu ou não]. De qualquer sorte me soa tão sincera, que me marcou profundamente e comecei a refletir sobre o que é que de fato vale a pena na nossa vida! Eu que tanto odeio os manuais de auto-ajuda dos Lair Ribeiros e Ivan Curys da vida, me rendi a este pequeno poema que não foge do famigerado rótulo! :P

Mas tudo bem, assim é a vida a nos pregar peças! :))

Os que hoje me conhecem sabem o que penso, mas só os que me conhecem há muitos anos sabem das mudanças que aconteceram na minha vida, por conta de encarar as coisas de uma forma diferente! Hoje entendo que a felicidade não é o fim... é o caminho!! Tento/busco momentos felizes nas experiências mais singelas, e não me envergonho de afirmar que o texto que segue abaixo tem grande influência nisto! A propósito, quando tive acesso ao texto, o mesmo era atribuído a Jorge Luis Borges [grande escritor argentino]; com o passar do tempo, li que o mesmo era de autoria de uma americana chamada Nadine Stair. Mais recentemente li um artigo no qual nega a autoria aos dois nomes anteriores. Diz ser de um escritor e humorista [!!!] chamado Don Herald; bem, mais isto para mim é o que menos importa agora! Vamos ao texto.

INSTANTES

Se eu pudesse viver novamente minha vida, Na próxima,
trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito... relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido;
na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico, correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e
produtivamente cada minuto da vida: claro que tive momentos
de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter
somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feita
avida, só de momentos; não perca o agora. Eu era um desses
que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de
água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse
a viver viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no
começo da primavera e continuaria assim até o fim do
outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais
amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra
vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que
estou morrendo.

3.9.05

Elegia 1938

"Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas por entre os mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan."

Carlos Drummond de Andrade

Fico impressionado com a antevisão deste poeta, do qual quase nada conheço da sua tão vasta obra. Esta poesia me foi passada por um grande brother, pouco tempo depois do espetáculo holywoodiano transmitido para todo mundo pela famigerada CNN ocorrido a 11 de setembro de 2001. Fiquei extasiado com a tão atual descrição de nossos tempos, àquela época! Valeu Lucas!

E para os que desejam conhecer mais de Drummond, segue o link: Drummond