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7.10.10

O peso da traição

Nada como bons papos ou pessoas que, com sua grande capacidade para nos proporcionar boas conversas, nos inspiram a escrever.

O que vou tratar aqui é um assunto que já foi tratado anteriormente, mas creio que sob outro enfoque: a traição.


É que estive discutindo sobre de quem seria a responsabilidade da traição, já que havia refletido sobre isto.

Entendo que quem trai, vai saber e ter os seus motivadores, o que não precisa ser, necessariamente, aceito pelo traído. O que quero dizer é que o traidor vai justificar, mas quem é traído não precisa aceitar tais justificativas.

Mas bem, o que me motiva agora é falar sobre a responsabilidade da traição. Muitas vezes aquele que recebeu o "chapéu de touro" é acusado de contribuir para que o evento ocorra. Existem casos e casos, como os dos que incentivam a ocorrência de uma relação do parceiro com outro. Mas convenhamos: neste caso não seria uma traição, já que houve o consentimento. O que trato aqui é da traição: uma relação com outra pessoa sem o conhecimento, consentimento do parceiro.

Nos casos em que ocorre a traição, penso que ela se trata de uma decisão pessoal e que se reforça dia a dia, quando se trata de algo contínuo. Claro que existem as traições fortuitas, fugazes, mas que também não deixam de ser baseada num momento de escolha do traidor. E não quero aliviar o peso da responsabilidade pela decisão do infiel, mas, sem dúvida, quando temos diariamente a possibilidade de fazer diferente, como atribuir qualquer responsabilidade a terceiros [no caso o parceiro]? A diferença entre uma traição fugaz e uma contínua é que nesta se tem tempo para ponderar sobre o que se está fazendo, enquanto naquela nem sempre se tem tempo para se ponderar de forma mais detida: a pessoa só resolve trair e pronto!

A questão é que quem está traindo muitas vezes busca subterfúgios, sinais, confirmações no comportamento do outro para justificar aquilo que, no seu íntimo, quer fazer.

Pode até parecer reducionismo, mas acho que dividir a responsabilidade da traição é querer diminuir o peso de um ato que considero exclusiva do agente traidor. Ainda que algo esteja faltando na relação, e se isto se torna um fardo, mais fácil seria o caminho do término [claro que esgotadas as conversas, as tentativas de fazer com que o outro perceba que não está mais sendo como outrora].

Eu bem sei, porém, que nem sempre isto é tão fácil de fazer. Abdicar de uma relação, dependendo do motivo, nem sempre é tão simples como alguns insistem em achar. E aí é que chego no ponto crucial desta postagem: a traição, por estar sentindo falta de algo no parceiro [que é a desculpa mais comum], é, além de uma "punhalada" nas costas do parceiro, um ato de extrema covardia da parte de quem trai. É com isso que o traidor tem que lidar: tomou a sua decisão por não ter coragem de agir de outro modo.

Sei que apesar desta postagem as traições sempre continuarão a existir. Não tenho, em verdade, a ideia de demover ninguém daquilo que entende como adequado para a sua vida. Só entendo, hoje, que quem trai tem que arcar com o peso de sua decisão e aceitar que isto se baseia numa decisão exclusivamente pessoal. E eu bem sei que isto vale para mim também [e o digo por empirismo].

22.12.07

O Canto do Cisne!! [ou Do Ocaso]

Talvez soe pretensioso o título desta minha derradeira postagem aqui, mas não foi a minha intenção; só coloquei-o por representar bem o que está sendo para mim estas últimas linhas num espaço em que já não mais cuidava como deveria! :((

Nem tudo é definitivo em nossa vida! Ou melhor dizendo: para mim algumas coisas são definitivas em determinados momentos do nosso viver, mas elas podem ser modificadas com o correr da marcha do inexorável tempo [???]

Escrevi muitas coisas que quis; mas deixei um número bem maior de coisas sem ser "ditas" aqui! De qualquer sorte, serviu-me muito para registrar alguns dos momentos da minha vida, das minhas opiniões; foi útil para compartilhar gostos!

Sem muitas delongas vou para os objetos principais desta postagem, que são os conteúdos de dois perfis que gostei muito! Já li outros que gostei bastante, mas estes dois merecem destaque grande para mim.

O primeiro deles é o reflexo das experiências pessoais de uma pessoa ávida por viver, ainda que sofra algumas limitações externas: família, certa [não muita, é bem verdade] preocupação com opiniões de uma sociedade ainda retrógrada e machista [claro que ninguém aqui está falando em jogar todos os valores pelo ralo]. Bel, valeu pelo ótimo e estimulador perfil. Segue-o, na íntegra:

"Busquei por alguns dias as palavras certas para expressar o que ando sentindo, mas isso se mostrou uma tarefa bastante difícil, por mais que a necessidade de mudança seja maior que isso tudo.
Mudar, não porque eu não acredite mais no que havia escrito aqui no antigo perfil...Longe disso! Apenas diria que já sinto ser preciso ser menos reducionista.
Estou vivendo uma das melhores fases da minha vida, justamente porque a estou vivendo alimentada com melhor dos combustíveis: a paixão. Apaixonada por idéias, momentos e pessoas, pessoas essas que talvez não tenham se quer a noção do quanto são importantes para mim.
Continuo sendo inconstante [e adorando isso], quebrando a cara muitas vezes e sendo feliz em tantas outras, exatamente como outras pessoas que assim como eu, não sentem medo de viver.
Mesmo nos maus momentos percebo o quanto tenho sorte, justamente porque vejo e sinto tudo de forma intensa, indo de um extremo ao outro com a mesma facilidade, aproveitando essa tempestade de sentimentos que se apodera de mim.
Uma das coisas em que acredito é na mudança, e justamente por ela, estou sempre construindo e desconstruindo conceitos, até sobre mim mesma. Livrando-me de fórmulas prontas [as quais dispenso prontamente] e me valendo apenas das minhas experiências e percepções. Estou tentando enxergar menos com os olhos da razão e acho que estou conseguindo...Porque definitivamente descobri que não preciso racionalizar tudo. Aprendi a apenas sentir, e isso agora já me basta.
Já não tenho mais a necessidade de ser compreendida, porém por mais que alguns não entendam, posso afirmar que nunca fui tão autêntica quanto agora. Um constante sorriso ou até mesmo um choro por vezes inevitável, só traduzem o que se passa em mim, nesse turbilhão de emoções que não consigo controlar (e que já desisti de tentar fazer-lo). Como uma grande amiga me disse ontem, o tempo de se preocupar com o que outros vão pensar, já passou...Isso agora simplesmente não importa. Estou fazendo minhas escolhas e pagando pra ver!
Quero continuar acreditando, mesmo que por isso eu tenha que me machucar depois...Como conversei com um certo alguém ao fim de uma bela tarde, se ser madura significa construir muralhas em torno de si, precisar de planos para tudo e criar milhares de reservas diante do outro, não quero essa maturidade! Por que se assim for, prefiro, por resto dos meus dias, ser vista como inconseqüente, exagerada ou até mesmo desmedida, mas tendo a plena certeza de que estou aprendendo e fazendo essa passagem por aqui valer a pena.


Por fim, só queria deixar uma grande beijo aos novos e velhos amigos...Vocês são parte integrante de tudo isso. Obrigada não só por terem entrado em minha vida, mas também por terem permanecido. Não sei por quais caminhos vamos andar...Se estaremos sempre juntos ou não, mas isso não é o mais importante. O que importa de verdade é que pudemos ter a chance de nos encontrarmos. Vamos aproveitar os nossos momentos porque no fim, serão eles, e as boas lembranças que vão restar..."

PER-FEI-TO!!

Bem, o outro perfil é de alguém que não conheço, não sei como é, e se o que está ali contido é a idéia de outra pessoa; o fato é que é outra filosofia de vida! Vamos a ele:

"Se existem verdades absolutas neste mundo, uma delas é que todos nós temos medo de sofrer. Assim, ingenuamente tentamos controlar as situações ao nosso redor, como se isso fosse possível.
Obcecados por esse desejo de nos proteger, gastamos nossa energia e nosso tempo tentando controlar os pensamentos, as atitudes e até os sentimentos das pessoas que amamos e que, sobretudo, desejamos que nos amem.
No entanto, não nos damos conta de que a vida se baseia no imprevisível, no incontrolável, no surpreendente! Nenhum sentimento é garantido, nenhuma conseqüência é revelada antecipadamente. O futuro é totalmente incerto. E apesar de tamanha imprevisibilidade, temos em nosso coração toda a possibilidade de conquistarmos o que e quem amamos, o que é muito diferente de controlar, prever ou obter garantias!
Muitas pessoas não conseguem encontrar um amor, não se entregam a uma relação profunda e verdadeira simplesmente porque estão, todo tempo, tentando obter certezas. As perguntas não param de gritar, as dúvidas não têm fim e o medo de se deparar com a dor parece assombrar milhares de corações, impedindo-os de enxergar uma outra possibilidade, tão plausível quanto a de sofrer.
Será que ele me ama? Será que vale a pena perdoar e tentar de novo? Será que ele não vai me trair? Será que não estou sendo idiota? Será que não vou sofrer mais do que se ficar sozinho?
O que será, eu responderia com muita tranqüilidade, não importa agora! Na verdade, nunca importará! A pergunta correta é: “Eu quero?” Quando aprendermos a responder, com respeito e responsabilidade, essa simples perguntinha, teremos previsto qualquer possibilidade.
Sim, porque o amor é uma chance, uma oportunidade; não uma garantia; nunca uma certeza! Podemos vivê-lo conforme nossa vontade, de acordo com nosso coração ou passaremos a vida inteira tentando controlar o incontrolável, garantir o incerto!
Jamais teremos como saber se o outro está sendo fiel, se o amor que sentimos é correspondido na mesma medida, se vamos sofrer ou seremos felizes. Jamais saberemos do amanhã ou do outro.
Então, que usemos nossa inteligência, a despeito de todo o medo que isso possa nos fazer sentir. Ou seja, que possamos, de uma vez por todas, abrir mão dessa tentativa inútil de controlar o amor, a vida e o outro e nos concentremos em nós, em nosso coração e em nossos reais objetivos!
Descobriremos que nos ocupar com nossos próprios sentimentos já é trabalho para vida inteira. Descobriremos que agir conforme nossa vontade é o bastante para que nos sintamos preenchidos, embora possamos mesmo vir a sofrer simplesmente porque o sofrimento é uma possibilidade tão possível quanto a felicidade!
E digo mais: só conseguiremos entrar de fato no coração de alguém, mesmo sem termos certeza disso, quando tivermos a audácia e a coragem de nos entregar ao imprevisível; quando conseguirmos compreender que a segurança é mérito pessoal, interno, sentimento que não se pode ter em relação a ninguém além de nós mesmos.
Portanto, para todas as pessoas que têm me perguntado sobre qual é o “segredo” para viver o amor sem sentir tanta insegurança, tanto ciúme e tanto medo de sofrer, aproveito este momento para responder: o segredo está em saber se você quer, se você realmente quer! Porque se você quiser e fizer por merecer, agindo você com sinceridade, qualquer possibilidade de dor e sofrimento valerá a pena. Porque quando a gente quer de verdade, com o coração, a magia do amor nos faz entender que sofrer faz parte do caminho e, no final das contas, é tudo crescimento, aprendizagem, evolução e, por fim, a tão desejada felicidade.
E não que ela esteja no final do caminho ou no final da vida, simplesmente porque ser feliz é isso: entregar-se ao imprevisível e aceitar a dor e a alegria como partes do amor! E quando penso que essa entrega é realmente difícil, me lembro de uma frase que gosto muito:
"Se o seu problema tem solução, relaxe, ele tem solução.
E se o seu problema não tem solução, relaxe, ele não tem solução!"
Portanto, quando estiver doendo, não resista! Simplesmente relaxe e aceite!"

Bem... não duvido que voltarei aqui outras vezes, somente para relê-los!

Valeu pelas visitas e pelos comentários... foi uma experiência muito interessante!!

26.12.06

Impressões sobre a vida e otras cositas más!

Estive ponderando estes dias sobre a continuidade ou não deste blog; a verdade é que tenho sido muito relapso com ele. Sinto-me meio desmotivado às vezes [insisto que a falta de criatividade e a ausência de facilidade em transcrever sentimentos são grandes obstáculos], mas há outros momentos em que sinto a necessidade de registrar o que me acontece, ainda que seja incompreensível para algumas pessoas o que posto aqui! Bem, por ora e após uma rápida conversa resolvi dar continuidade ao mesmo; quero poder registrar algumas sensações ou idéias que me ocorrem neste momento tão incrível da minha vida! Creio que será legal sentar daqui a alguns anos e reler alguns dos meus momentos aqui transcritos! Além do mais sei que algumas pessoas que são muito importantes para mim, volta e meia vêm aqui pra ver como estou!!

Tenho vivido dias excepcionalmente marcantes. E, justamente neste período, talvez eu esteja tomando a maior decisão da minha vida. Agora tenho a convicção de que o maior compromisso que tenho nesta vida é com a minha felicidade, é a de buscar viver a maior quantidade de momentos felizes. É claro que não quero causar dor a quem quer que seja, mas infelizmente é inevitável que isto venha a ocorrer em alguns casos [da mesma forma que podem me causar devido a alguma decisão que diretamente me atinja].

Toda grande decisão envolve perdas e ganhos e creio que o que devemos ponderar é sobre o tipo de satisfação que buscamos! Às vezes aos olhos de todos estamos fazendo sacrifícios maiores, aparentemente perdendo bem mais, mas devemos ter idéia de que o que alcançaremos, mesmo com tantas perdas, é uma satisfação que valha de fato a pena!

Sempre acreditei que a vida foi muito generosa comigo, me permitindo experiências que me ensinassem algo ou colocando pessoas que muito têm contribuido no meu processo de ser alguém melhor a cada dia!

Até comentei com dois amigos do G-6 [eu sei que poucos entenderão] que parecia que ela estava mostrando o seu lado mais sisudo para mim! Mas já estou desfazendo esta idéia novamente... ela [a vida] sempre dá um jeitinho, por pior que pareça a situação, de me sorrir. Mas querem saber? Nunca fui de me lamuriar muito, de ficar chateado quando surgia um obstáculo, nunca exigi demais dela... acho que isto fez com que ela gostasse de mim e me oferecesse boas pessoas e boas experiências!! :))

Acho que não devemos abandonar as nossas conquistas e tudo o que construímos, mas não podemos nos "limitar" a apenas estas conquistas... temos tanto por descobrir, tanto por viver!! Por pensar desta forma alguns talvez me entendam como efêmero, mas não me vejo desta forma... penso que o não se limitar significa se dar a oportunidade de viver da forma mais intensa aquilo que está ao nosso alcance! Eu, sem dúvida, não gostaria nunca de abandonar algumas conquistas [se é que você me entende, Beca!] ;)

Percebo também que algo é fato para mim: a sensação de não me sentir como o tomador de decisões na minha vida é um tanto quanto incômoda! Creio que por isto não quero ser fatalista e acreditar em destino ou qualquer força que tenha pré-determinado a minha existência! Rejeito qualquer força superior como controlador dela ou qualquer pessoa que queira decidir por mim!

Isto me deixa ainda mais impotente frente a grandiosidade da vida! Pode parecer idiota, mas quero carregar comigo a idéia de que são méritos meus os sucessos... assim como também credito a mim os deméritos que porventura colho! Acho muito vazia a idéia de que tudo vai acontecer por que as "coisas" conspiram neste sentido [desculpe pela incredulidade, Bel; talvez um dia eu consiga compreender este algo mais!]. Algumas vezes esperei que elas conspirassem e a coisa acabou não ocorrendo! Sei lá... imagino que se elas não ocorreram foi por uma ação [ou omissão] da minha parte ou de outras pessoas envolvidas! Sei lá... esta idéia dá um peso maior ao meu viver, ao meu ver! :))

Bem, vejo que está tudo aí... para ser conquistado!! Lógico que escolhemos as nossas prioridades; alguns querem um excelente emprego, com uma ótima remuneração [isto não é, em verdade, uma má idéia], um carro importado, uma puta casa na qual quase se perca, acumular riquezas e tal; outros preferem curtir um belo por do sol, tendo uma excepcional companhia, atrás do Farol da Barra, sentados na grama, picados por formiguinhas, sendo abordados por figuras interessantíssimas que vendam colares... e talvez consigam rir bem mais do que as primeiras, talvez consigam estar mais feliz do que os acumuladores de bens!! É relativo, seu sei. Vai da importância que cada um dá a cada momento! Vai da sensibilidade que cada um tem para se sentir feliz com as coisas "simples", mas acho que não é preciso complicar tanto este momento curto e mágico que é a vida!! Afinal a felicidade não é o fim, é, antes, o caminho! E eu sei que algumas pessoas compreendem isto muito bem! ;)

7.12.06

Desabafos ininteligíveis!

Será que é tão difícil entender que todos temos o direito de buscar a felicidade da forma que melhor nos convêm [desde que isto não interfira diretamente na possibilidade do outro buscá-la também]??

É tão difícil gostar ou amar as outras pessoas para entender que nem sempre as coisas são como queremos que sejam e consigamos nos alegrar pelo fato de que a outra, sendo sincera, não quer apenas levar uma vida morna??

Até onde o nosso rancor ou orgulho excessivo é capaz de tornar um ato digno [ainda que seja consigo mesmo] da outra parte em uma declaração velada [ou explícita mesmo] de guerra??

Por que impedir, atrapalhar, ficar infeliz só por não mais TER [no sentido de posse mesmo] a outra pessoa só por ela querer trilhar um caminho diferente??

Por que não viver aquilo em que acreditamos de fato?? Por que não??????

Por que tantas satisfações para tantas pessoas que não se preocupam tanto assim se estamos ou não felizes??

Ah!

Eu sei que existem sonhos, projetos, planos, renúncias e tantas outras coisas... mas a vida nem sempre é estanque. Devemos entender que algumas coisas por vezes mudam. Projetos outrora sonhados podem ser mudados ou abandonados quando se muda o foco das prioridades, dos desejos; quando mudamos ou compreendemos a nossa essência uma nova vida e uma nova maneira de encará-la se faz necessária.

Por mais óbvio que possa parecer: a minha vida DEVE ser vivida. Ainda que não abandone a idéia de alguns projetos, tenho consciência de que eles podem não se realizar! Sei que assim pode ser a vida! Nem sempre do jeito que eu quero... mas sei de muitas coisas que quero e uma delas é não ficar de forma passiva esperando as coisas acontecerem!

Pra mim o que acontece naturalmente, sem interferência nossa, são fenômenos da natureza!! :P

Quanta merda.... mas tá dito!!

Textos para um pouco de reflexão!

Nem sempre tudo é tão complicado como parece; nem sempre é tão simples como querem nos fazer crer.

Eu não acredito em muitas coisas além das que consigo comprovar ou sentir de fato, mas busco o caminho de estar bem comigo e com as pessoas que me rodeiam e sei que não existe uma receita para isto! Tento aprender com meus erros, com as experiências vividas pelas outras pessoas... tento me tornar alguém melhor a cada dia! Este é um dos principais objetivos que tenho na minha vida! Quero ser alguém feliz a cada dia, a cada hora, a cada minuto, a cada segundo... tanto quanto me seja possível e com aquilo que a vida me oferece!

Não quero fazer sacrifícios que sejam realmente custosos para conquistas a longo prazo... a verdade é que tenho pressa em viver momentos felizes! Não projeto vivê-los daqui a 1, 5, 10 anos!! Nem sei se estarei lá pra curtir o final deste projeto! :P

O que mais urge em minha vida é a necessidade de estar feliz e de fazer as pessoas ao meu lado assim também se sentirem!

Ainda que eu odeie livros de auto-ajuda, lá vão mais dois textos que ajudam na reflexão sobre o que somos e sobre o que queremos. O primeiro, de Fernando Pessoa, intitulado "Poema em Linha Reta" me remete à idéia de que por vezes buscamos parecer ser algo que não somos de fato e de nos preocuparmos em esconder aquilo que parece nos tornar execrável aos olhos dos outros. Nada como termos consciência de nossas limitações e, caso entendamos como algo negativo, buscarmos a correção disto pelo fato de incomodar principalmente a nós mesmos!!
Quero que me amem como eu sou, se possível!!

Poema em linha reta
Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil.
Eu tantas vezes irrespondívelmente parasita,
Indesculpavelmente parasita.
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante.
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo
Toda gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho;
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma covardia!
Não, são todos o "Ideal", se os ouço e me falam.
Que há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

O segundo texto foi um que vi no blog de uma pessoa muito especial pra mim [Mabel], que, diga-se de passagem, tem muitos textos legais [principalmente os que ela posta]. Putz! Ao ler algo do tipo vejo como por vezes tenho sido covarde [mas buscando melhorar neste aspecto], como negligenciamos a nossa felicidade em troca de experiências mornas! Bem deixa eu postar logo:

Quase...
Sarah Westphal Batista da Silva

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance; para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

4.11.06

Leva-se muito tempo para ser jovem!!

A frase acima, atribuída a Picasso, foi-me dita por um grande amigo na segunda-feira. Foi um dia excepcional, pois há muito não o via e pudemos matar a grande saudade que estávamos sentindo um do outro! Nos encontramos por volta das 13 horas, sendo que ele tinha compromisso às 14 hs [aula na universidade]. Neste ínterim conversei com ele sobre alguns aspectos da minha vida [os mais marcantes neste momento] e ele também falou-me acerca dos acontecimentos mais recentes e igualmente marcantes. Adoro esta coisa de poder trocar experiências, saber das vivências de cada um e o que foi abstraído das situações vivenciadas.

Ele acabou não indo para a aula [cursa Dança na UFBA] e pudemos estender a conversa por toda à tarde. Fomos ao restaurante do Teatro Castro Alves [Salvador/BA].

O mais interessante nisto tudo é que começamos a falar a respeito da idade e como as pessoas parecem ir perdendo a sua chama, a sua sede de vida! Falei-lhe que busco, e acredito que sempre buscarei, viver intensamente os momentos que a vida puder me proporcionar de ser feliz! Daí ele me falou a frase de Picasso, que me serviu como título deste post ["Leva-se muito tempo para ser jovem"].

Ainda lá, decidimos assistir a um filme, num local do circuito alternativo de Salvador, que é a Sala de Arte do Museu Geológico da Bahia! Putz! Eu não conhecia, mas achei o lugar por demais aprazível!! :)

Não sabíamos que filme estava rolando naquele horário e ao adentrarmos vimos que naquele momento estava para começar o filme "Elsa e Fred, Um Amor de Paixão", do qual comentarei logo a seguir. De qualquer sorte foi um dia excepcional! O que mais achei incrível é que [isto só descobri agora e acho que ele nem sabe], na parte superior do cartaz do filme está a frase de Picasso que ele havia me dito!

Este filme ficou marcado por ter proporcionado o melhor dia que vivi em muito tempo [não se enganem, pois não falo exatamente desta mesma segunda onde estive com Marcos, que, é lógico, foi maravilhosa!].

Agora vamos ao filme!

Bem, esta excepcional produção argentina [com co-produção espanhola], conta a história de um casal com idade superior a 80 anos. Elsa [China Zorrilla] mostra uma vitalidade de causar inveja a maioria das pessoas que conheço!! Ela conhece Fred [Manuel Alexandre], que havia perdido a esposa há 7 meses. Ele se mostra apático em virtude do recente acontecimento e parece somente estar aguardando o dia da sua morte. Isto até a excepcional Elsa entrar em sua vida e passar a proporcionar a ele [pasmem!] os momentos mais felizes de sua vida!

Em meio a situações engraçadas e inusitadas, o filme é uma lição! Mostra que nunca é tarde para realizar sonhos e viver novas experiências! Assisti poucos filmes este ano, mas sem dúvida este é o melhor, até o momento!

Os nossos hermanos estão de parabéns!!